A pandemia gerou efeitos muitos graves, e não foi somente na área da saúde. Além das consequências devastadoras da Covid-19, com alto número de mortos e de pessoas contaminadas, ela causou complicações econômicas sérias. Desde os primeiros meses de 2019, a inflação tem aumentado de forma exponencial na maioria dos países ao redor do globo.
Para tentar controlar a alta dos preços, os bancos centrais do mundo todo aumentaram suas taxas de juros. No Brasil, os juros não param de subir desde março de 2019. Até agora, foram dez aumentos consecutivos. Mas como esses números impactam na vida de cada cidadão? No conteúdo de hoje, vamos esclarecer as principais dúvidas em relação aos juros altos: onde investir, quais são os efeitos práticos no dia a dia e o motivo que faz a taxa estar tão elevada no país.
Por que os juros são tão altos no Brasil?
Antes de falarmos sobre o aumento das taxas, é preciso entender como elas funcionam. A Taxa Selic, também conhecida como taxa básica de juros, foi criada em 1979 com o objetivo de enfrentar a hiperinflação. Essa taxa é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, que se reúne a cada 45 dias para decidir se a Selic aumenta, diminui ou se mantém.
O indicador acompanha a situação do país, na intenção de estimular ou frear a elevação de outras taxas. Para incentivar o consumo, o comitê reduz a Selic. Como consequência, há um aumento da inflação. O caminho contrário também acontece. A taxa Selic alta impede o avanço da inflação, mas, por outro lado, desacelera a economia.
Em maio de 2022, o Banco Central, em decisão unânime, decretou o décimo aumento seguindo em um período de dez meses, fazendo com que a taxa ficasse no patamar de 12,75% ao ano.
Efeitos dos juros altos

Os juros altos no Brasil geram alguns efeitos colaterais, diretos e indiretos. O principal deles, e o que mais está pesando no bolso, é a elevação do custo de vida. Confira outros impactos que dos juros altos:
Dificuldades para pedir empréstimos
Uma das consequências dos juros altos que mais afeta os brasileiros é a dificuldade para pedir empréstimos. Nessa lista de afetados, entram não só os cidadãos que querem financiar um carro ou um imóvel, como também empresas e órgãos governamentais que precisam financiar gastos públicos.
Todas as pessoas que utilizam cartão de crédito dependem, direta ou indiretamente, dos juros cobrados pelos bancos. Caso a fatura não seja paga na data correta, a cobrança extra aparece em forma de juros altíssimos. Como isso, o poder de compra é reduzido, prejudicando os consumidores, que consomem menos, e as empresas, que têm queda nas vendas.
Aumento da dívida pública
Os governos também sentem a alta da taxa de juros, pois ela torna o custo de financiamento fiscal mais caro, gerando despesas adicionais. Dessa maneira, ao emitir algum título para que investidores internacionais aumentem a credibilidade do país, o governo precisa pagar mais.
Esse movimento acontece em ciclos. As despesas com juros afetam as dívidas do país, o que acaba refletindo nos indicadores que demonstram a confiança estrangeira. Ao demonstrar receio, os investidores pressionam o dólar para cima, aumentando, também, a inflação.
Atração de investidores estrangeiros

Como acabamos de mostrar, o aumento dos juros tem o poder de atrair investidores estrangeiros para o país. O Brasil, apesar de respeitado e reconhecido economicamente, ainda é considerado uma economia emergente e, por isso, é preciso apresentar uma boa relação risco-retorno para garantir segurança a quem investe.
Mas não só os empresários estrangeiros que ficam de olho na oscilação da taxa de juro. Os investidores brasileiros também sentem os impactos. Com remuneração maior de juros, o dinheiro passa a circular menos, pois a remuneração de aplicações financeiras passa a ser mais vantajosa.
Estagnação ou recuo no crescimento da economia
As altas taxas de juros abalam a capacidade de investimento das empresas e o poder de compra dos consumidores a nível global. A pressão inflacionária faz com que sejam impostas restrições em relação tanto ao mercado internacional quanto ao mercado interno de diversos países.
Com uma onda tão forte de aumento da inflação, mesmo as economias mais fortes apresentam uma recuperação econômica lenta. A elevação das taxas de juros acontecem justamente para tentar frear essa inflamação, mas como efeito colateral ocorre uma desaceleração do crescimento.
Juros altos: é bom ou ruim para os investimentos?
Em relação aos investimentos, dependendo de sua natureza, o cenário é um pouco mais favorável do que aquele que mostramos até agora. Todos os investimentos que têm como base a Taxa Selic, e os que são diretamente proporcionais a ela, como os investimentos de renda fixa, estão com rentabilidade alta.
O Tesouro Direto, por exemplo, rende mais quando as taxas de juros estão elevadas. A poupança segue mais ou menos a mesma linha de pensamento. Com menos dinheiro rodando na economia, as pressões inflacionárias ficam menores. Isso torna mais lucrativo deixar o dinheiro no banco, pois as taxas de juros altas aumentam a lucratividade.
Na situação em que vivemos, com juros muito altos, a tendência é que haja um enfraquecimento da economia. Por outro lado, é interessante ressaltar que essas condições podem trazer benefícios, dependendo do tipo de investimento que uma pessoa tem. Não podemos negar os efeitos negativos do aumento das taxas, mas também é preciso entender outras perspectivas que podem ser vantajosas para o consumidor.
Veja também:
- Imposto de renda atrasado: o que fazer e como declarar?
- Taxa referencial: o que é? Qual o impacto?
- Renda fixa e Renda variável: qual a diferença?

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